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Kits sobre educação indígena são entregues às escolas

Publicado por Secretaria da Educação em

dsc_0114-copyO artesanato típico dos Mybiá Guarani é o ponto de partida para o ensino da cultura e da história dos indígenas brasileiros. Esta é a proposta de um kit que foi entregue na tarde desta quinta-feira (10) aos professores da rede municipal de Gramado. A iniciativa é do projeto Mybiá Guarani, realizado em parceria entre as comunidades indígenas, a Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu) e o Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre (Dnit).

Os kits foram entregues após a palestra Oficina de Diálogos: Projeto Mybiá Guarani na Escola e a Implementação da lei 11.645/2008. A atividade faz parte da programação da 10ª Semana Afro Cultural, que segue até segunda-feira, dia 14. A palestra foi ministrada pelos técnicos da Fapeu, Viviane Araújo e Flávio Medeiros, e pelo professor de Guarani da UFRGS Gerônimo Franco.

O material entregue aos professores contém cestarias, bonecos de madeira representativos de animais, além de folder sobre o projeto. Em breve, os professores devem receber uma cartilha e acesso a um blog com materiais didáticos com sugestões de como utilizar os materiais recebidos no kit. Além disso, cada escola recebeu ainda uma caixa de giz de cera de diversos tons de pele e um livro sobre arqueologia e os sítios arqueológicos encontrados em Gramado e em Canela, materiais esses entregues pela Secretaria Municipal de Educação.

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O projeto Mybiá Guarani surgiu como uma das ações compensatórias pelos impactos causados pela obra de duplicação da BR-116, entre Guaíba e Pelotas. A proposta consiste na compra de artesanato de 13 comunidades que estão localizadas na área de abrangência da obra e a doação, em formato de kits pedagógicos, para escolas. Inicialmente, a ideia era trabalhar apenas com as unidades escolares localizadas dentro daquele perímetro, mas o bom resultado acabou expandindo e outros municípios passaram a receber os kits, além da formação para utilização dos materiais.

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Durante a palestra, o professor Gerônimo, que é da etnia Mybiá Guarani contou um pouco de sua história e de como se tornou educador, ensinando Guarani na UFRGS. Segundo Gerônimo, o seu grupo era seminômade e circulava pela região do Brasil, Argentina e Uruguai e com a demarcação das terras indígenas, conseguiu um local fixo, possibilitando a manutenção das tradições e da cultura. Ele contou sobre os hábitos de sua aldeia, como por exemplo, a alimentação e como as crianças são nomeadas. “Até os dois anos de idade a criança é chamada só como criança. Só então, quando ela começa a andar é que o pajé faz um ritual para saber qual a missão e em função disso, o nome é escolhido”, explica.dsc_0142-copy

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Um dos objetivos do projeto é incentivar uma cultura de paz e de superação do preconceito e da intolerância étnico-racial. “Muitos dizem que o índio deixou de ser índio porque usa roupas iguais as do branco, usa celular também. Mas não é só o exterior que indica uma etnia. Ser índio é algo que vem de dentro, é a cultura, são os hábitos, é um conjunto de fatores”, afirma.

Ainda durante a tarde, os alunos da EMEI Branca de Neve fizeram uma apresentação cultural, interpretando duas músicas.

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Programação: A Semana Afro Cultural segue nesta sexta-feira (11), com o lançamento do livro “Da África aos Indígenas no Brasil: caminhos para o estudo de História e cultura afro-brasileira e indígena”, das 14h às 16h, na biblioteca Cyro Martins, acompanhado de uma roda de conversa com as organizadoras do livro, Vera Neusa e Nora Cinel. Já no sábado (12), ocorre das 8h30 às 11h, no auditório da Secretaria Municipal de Educação, o curso de formação “Raízes: em busca das nossas origens”, com os professores da EMEF São Pedro, de Porto Alegre, Cássia Serpa, Patrícia Fortes, Inajara Leão e Manuel Figueiredo, eles também falarão sobre a implementação da lei 10.639 de 2003, que trata da obrigatoriedade do ensino de História e Cultura da África e dos Afro-Brasileiros.